sexta-feira, 6 de junho de 2014

NOVENBROS PASSADOS



O clima quente parece aos poucos querer ameaçar uma trégua.

Em fim uma brisa rejuvenescedora ousa quase que timidamente ganhar nossos rostos.

Tão calma e tão doce,

Parece realmente resquícios de novembros passados!

Novembros de outros tempos,

Novembros de outras histórias, outras chuvas, outros desejos, outros sonhos!

Sonhos em que nada se sonhou!

Histórias que não ficaram na mente da história!

Desejos que nunca se realizaram!

As chuvas?! 
Apenas as chuvas souberam molhar!

Apagar todos os planos, desfazer um futuro de areia!

Novembros passados,

Das cinzas molhadas não ressurgiu ave mitológica,

Tão pouco, esperança,

Ainda assim o inconsciente mantém-se esperançoso e apaixonado!

Saudosista que sofre,

Que respira implorando a morte,

Sobrevive na ânsia de enlouquecer,

Rí com vergonha de si próprio!

Insuficiente o presente, tão sem ambições futurísticas,

Resta-lhe apenas o passado,

Passado que na sua ingenuidade instiga-lhe ainda alguns instintos

Fascina-lhe, atormenta-lhe e o corrompe!

Os céus azuis mentirosos pela janela ele observa,

E de repente negros!

Os tempos que há tempos estão encostados na varanda da vizinha!

Sem lembranças de bons passados por ali,

Como se o futuro fosse passado igualmente o presente que é!

Sem sortes mutantes, sem filosofias transformadoras,

Sem contrários travando uma revolução,

Será apenas mais uma chuva de novembro?,

Então vamos brindar o brincar de imaginar,

Registrar nas redes sociais!

Vamos imaginar que vários outros novembros virão depois de vários outros outubros!

E até lá muita boemia antes da chuva!

 Cleidin, 05,11,13


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