quarta-feira, 11 de junho de 2014

CRUZ


Tenho uma dor no peito,
Suja como lama,
Tenho um santo escondido,
Revirando minhas entranhas!
Um demônio no altar!

Eu carrego uma cruz,
Nada comparada a de Jesus Cristo!
Minha cruz não pesa,
Não a carrego nos ombros,
Indaga-me a todo milésimo!

Mas não deixa de ser uma tortura,
Meu gólgota!
Faz ferver meu sangue,
Desnorteia minha cabeça,
Transforma minhas retinas!
 

Crucifiquei minha vida,
E até minha alma,
Não bateram prego em minhas mãos,
Querem porém controla-las!

Meus pés não estão piados,
Mas são reféns do século XXI,
E dá ideia torta,
Do olhar indagador,
A cruz que carrego é vítima do contraste!

Cleidin, 03,05,14

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