terça-feira, 10 de junho de 2014

ANTRO




Estar chovendo,
Chovendo e molhando, 
Molhando tudo!
Parei em um barzinho da avenida,
E insistir em observar as labutas, 
A criancinha filha da mãe pobre,
Correndo descalço na lama,
O trabalhador (gari) passa observando o bar,
Com um olhar tristonho e sedento de vontade de aqui estar, 
Encho meu copo um pouco mais, 
Escuto conversas de fortuna e boa vida,
Ecoam da mesa ao lado,
Os carros com seus faróis cegos quase se atropelando em um transito nervoso, 
Noutro canto, outros caboclos,
Ensaiam conversas desordenadas,
E mastigam feitos bárbaros,
A chuva insiste em não cessar,
Então cogito uma possibilidade, 
Já são 16h20min,
Pressinto que minha ausência, 
Já atordoa a cabeça de minha costela,
O telefone da mesa ao lado toca, 
O gatuno solitário atravessa a rua a procura de teto,
E eu o invejo por não poder correr nu!
A chuva não cessa,
Continua a molhar galhos cortados e jogados no tempo,
Os bárbaros, 
Rugem de vontade e de desejo de mulheres,
Eu tenho de ir embora, 
Eu preciso sair desse antro!

Cleidin 15,03,14

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