terça-feira, 10 de junho de 2014

MINHA SOLIDÃO



Não tenho amigos de verdade,
Porém minha solidão não me abandona,
Nela eu tenho de um tudo,
Amigos de verdade, os bons, os loucos, os iguais a mim!
Nela eu sou o bajulado, 
Sou branco e herdeiro!
Tenho mulheres por que penso ter muito money!
Nela eu crio minhas próprias teorias,
E ninguém reluta em discordar,
Nela eu sou do gueto, e sou da alta!
Minha solidão!
Nela enxergo o invisível, 
E toda falta de sentimento de uns para com outros,
Os anseios dos que pedem com dignidade,
E dos que tomam sem compaixão, 
Das juras e do não cumprimento,
Do bêbado que passou da dose,
E perdeu o respeito dos seus iguais,
Da mulher velha avó, que entregou-se ao vício, 
O velho pai que não aceita a ideologia do visionário filho,
A genitora alienada sem querer saber o que resta,
Na minha solidão os amigos me convocam!
Eles gostam de mim, 
Os verdadeiros!
Embriagamo-nos em prol de uma mesma viagem,
Batemos papos recheados de longas horas,
Aguçamos a crítica ao escárnio e ao desprezo!
De repente voltamos no tempo, 
Relembramos os bons momentos de meninice!
Quando tínhamos alma, mente e coração virgens! 
Vislumbramos os tempos em que tudo tínhamos de aceitar!
Tudo o que importava era não ter que se importar com o mundo adulto! 
Apenas servir, obedecer!
Minha solidão!
Sinto-me tão só, mesmo tendo-a como refúgio! 
Pois doutra forma eu não estaria só e são! 

Cleidin, 07, 03, 14 .

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